Numa outra direcção, o sopro da vela, a tempestade já
calma. De mochila às costas, fiz-me ao caminho, pisando a berma de uma velha
estrada secundária, que se estendia em linha recta, da aldeia para o campo e do
campo para uma outra aldeia. Manhã cedo ainda, o céu e as nuvens reflectidas
nos lençóis de água que cobriam partes da estrada; nenhum carro, ninguém. Só os
meus passos durante uma meia-hora de caminhada. Ao longe, o ladrar dos cães, e
muito perto,vindo do interior das árvores, os vários cantos e piares de aves.
Por vezes, via-as voar em bandos contra a luz molhada da manhã.
A mochila pesava-me com o que nela transportava. Alguma roupa, mantimentos, agasalhos e livros. Não sabia quando regressaria, dependeria da direcção que tomasse no próximo cruzamento. Há algum tempo que me deixara de guiar pelo mapa. Agora progredia ao sabor do vento, como a vela que eu soprara ao sair da penumbra do albergue. A minha mente entretanto acalmara. Já não sentia dentro dela a agitação de um mar revolto, embora a ondulação ainda quebrasse com força contra mim mesmo...
Tentei aguentar o passo firme durante meia-hora mais até que cedi à fraqueza, aquela fraqueza que eu tão bem conhecia no corpo cansado. Apercebi-me de que pouco comera na véspera, e que as paredes do estômago se colavam numa especie de azia que doía. Sentei-me num marco de pedra, desembrulhei uma sanduíche e fui comendo-a devagar.
O horizonte acenava-me uma outra direcção. O caminho bifurcar-se-ia lá à frente. Era preciso escolher. Talvez no ponto em que as copas das árvores se juntavam acompanhando as bermas da estrada, ou talvez chegando ao muro em ruínas que uma habitação ali abandonara, ou ouvindo o vento, o canto das aves, e a minha própria respiração enleada neles.
A mochila pesava-me com o que nela transportava. Alguma roupa, mantimentos, agasalhos e livros. Não sabia quando regressaria, dependeria da direcção que tomasse no próximo cruzamento. Há algum tempo que me deixara de guiar pelo mapa. Agora progredia ao sabor do vento, como a vela que eu soprara ao sair da penumbra do albergue. A minha mente entretanto acalmara. Já não sentia dentro dela a agitação de um mar revolto, embora a ondulação ainda quebrasse com força contra mim mesmo...
Tentei aguentar o passo firme durante meia-hora mais até que cedi à fraqueza, aquela fraqueza que eu tão bem conhecia no corpo cansado. Apercebi-me de que pouco comera na véspera, e que as paredes do estômago se colavam numa especie de azia que doía. Sentei-me num marco de pedra, desembrulhei uma sanduíche e fui comendo-a devagar.
O horizonte acenava-me uma outra direcção. O caminho bifurcar-se-ia lá à frente. Era preciso escolher. Talvez no ponto em que as copas das árvores se juntavam acompanhando as bermas da estrada, ou talvez chegando ao muro em ruínas que uma habitação ali abandonara, ou ouvindo o vento, o canto das aves, e a minha própria respiração enleada neles.
Pus-me de pé com a mochila novamente às costas, e continuei. O passo calcando a terra que não secara na berma, as marcas das minhas solas perseguindo-me e ficando para trás até desaparecerem.
Texto de Catarina Cabral
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