
No meio de um quintal abandonado, o Cadeirão Esventrado sentava-se, coçando as entranhas à vista. Eram feitas de esponja colorida e arame torcido. Permanecia longas horas naquela posição, de costas voltadas para a estrada e para as pessoas que passavam na rua. Ria com um riso rouco, e contorcia-se um pouco, como se fosse tomado de uma tosse ligeira sacudida pelo vento. A aragem era a de um verão tardio e corria as árvores em volta, enleando-se suavemente nas folhas, chocalhando latas ferrugentas no chão e acariciando a carcaça de um frigorífico, como que tocando um túmulo silencioso há muito tempo esquecido.
O Cadeirão Esventrado posava com as suas entranhas à vista. Tinha alguma vaidade da sua velhice e não se misturava com objectos novos que ali fossem parar, atirados pelas mãos negligentes das pessoas. Permitia que os pássaros pousassem nos seus grossos braços cortados e rasgados pelo abandono, e por vezes abrigava o corpo vadio e magro de algum gato que por ali passasse.
Assim encontrei o Cadeirão Esventrado, numa tarde morna de Outono, e captei-o em fotografias, sustendo a respiração perante tal figura majestosa na sua degradação física, de cores belas, velhas e acastanhadas, sentado, tossindo ligeiramente, emitindo um riso rouco e derrotado, à espera. Ainda à espera.
O Cadeirão Esventrado posava com as suas entranhas à vista. Tinha alguma vaidade da sua velhice e não se misturava com objectos novos que ali fossem parar, atirados pelas mãos negligentes das pessoas. Permitia que os pássaros pousassem nos seus grossos braços cortados e rasgados pelo abandono, e por vezes abrigava o corpo vadio e magro de algum gato que por ali passasse.
Assim encontrei o Cadeirão Esventrado, numa tarde morna de Outono, e captei-o em fotografias, sustendo a respiração perante tal figura majestosa na sua degradação física, de cores belas, velhas e acastanhadas, sentado, tossindo ligeiramente, emitindo um riso rouco e derrotado, à espera. Ainda à espera.
Texto e fotografia de Catarina Cabral
